IMPRENSA

Internacionalização

2012-05-25 - Domingos Cruz, Jornal Oje

A internacionalização das empresas portuguesas é hoje identificada como a solução para os problemas que actualmente afligem o tecido empresarial em Portugal, não apenas na modalidade de mera exportação, mas sobretudo na efectiva presença num mercado externo.

No entanto, num cenário em que resulta difícil identificar onde está a causa e a consequência, os obstáculos à internacionalização das empresas Portuguesas, sobretudo as Pequenas e Médias Empresas (PME's), são cada vez maiores, sobretudo quando falamos do incontornável financiamento.  

Se por um lado as ferramentas que o Estado põe à disposição das PME's oscilam entre uma burocracia infernal, como é exemplo o processo de candidatura do QREN, ou falta de quadro regulamentar, como é o caso das candidaturas aos benefícios fiscais previstos no Estatuto dos Benefícios Fiscais (ou seja tanto para dar, como para não tirar, o Estado complica ao máximo), por outro lado o actual acesso ao crédito bancário dispensa quaisquer considerações adicionais.

Resta pois o auto financiamento, ou seja, ser a própria empresa a libertar os capitais necessários para financiar o seu crescimento.

Sucede que, os mercados internacionais atractivos são, geralmente, muito maiores que o mercado Português, e, paradoxalmente, mercados muito regulamentados. Ora, a conjugação destes factores aliada ao enorme risco que consubstancia a internacionalização,  faz com que o preço para entrar em mercados externos seja demasiado caro para aquilo que, individualmente, as PME's estão dispostas a pagar.

Não só pelo efectivo custo, como pelo facto de a margem de erro ser diminuta, i.e., uma má experiência pode, só por si, condenar a própria viabilidade da empresa no país de origem.

Ora, se assim é, a internacionalização terá de ser feita por um de dois caminhos, (i) ou pela constituição de consórcios externos entre concorrentes, ou, (ii) se já não bastassem motivos suficientes, pela via da concentração de empresas com vocação internacional, com especial enfoque no sector industrial.

Em qualquer dos casos o tradicional individualismo das empresas portuguesas deve acabar, é que a capacidade de resiliência tem limites. 

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